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Viver com a diabetes

 Viver com a diabetes

 

Não há uma idade típica dos diabéticos, como já vimos, mas a partir dos 40 anos, há maior propensão para adquirir a doença. Se, nessa idade, sofrer de hipertensão arterial, então o risco é ainda mais acrescido.

É, pois, importante manter o peso dentro dos limites normais, fazendo uma alimentação rica em vegetais.

O álcool em excesso e os cigarros são de evitar, embora essa informação já qualquer um a tenha. De qualquer forma, fica mais este aviso: não é só aos pulmões e ao fígado que o álcool e o tabaco fazem mal...

Disciplina é a palavra que melhor se aplica ao dia-a-dia dos diabéticos, independentemente do tipo de diabetes que têm. Os cuidados na alimentação são imprescindíveis e um controlo sobre si próprios igualmente.

Sejamos claros: a diabetes só é grave se o doente não tiver noção do que deve fazer, ou se não levar a sério a sua situação. Se a consciência e o controlo, a disciplina e a serenidade andarem juntas então o dia-a-dia de um diabético pode ser completamente normal.

Os doentes de tipo 2 só terão de tomar uns comprimidos diários e medir regularmente o teor de açúcar no sangue, tendo preocupação com o tipo de alimentação e exercício físico que fazem. No entanto, em certas situações, pode haver necessidade de se tratarem com insulina.

Os doentes tipo 1 têm a vida mais complicada, mas, mesmo assim, se souberem usar o auto-controlo, então as coisas tornam-se mais simples.

Os diabéticos aprendem a lidar com a sua própria doença e sabem que, antes das refeições, são obrigados a receber, com uma simples picada, uma dose de insulina. Ao princípio, pode fazer confusão. Como tudo na vida, habituar-se-ão, eles próprios, a ministrar a sua dose de insulina, sem dramas, com serenidade, desmistificando a doença.

Para os diabéticos, independentemente do tipo de doença que contraíram, há alimentos a evitar. O açúcar branco, o mel, os doces, os refrigerantes, os fritos e o excesso de gorduras deve ser evitado a todo o custo.

Pelo contrário, os diabéticos devem beber água com abundância ao longo do dia e comer sopa com hortaliças e legumes. Os "verdes" são muito importantes na dieta destes doentes.

O pão, a massa, o feijão, as ervilhas, as farras e o arroz, ou seja, os elementos ricos em hidratos de carbono, devem fazer parte da dieta de um diabético, bem como o leite e seus derivados (desde que com baixos teores de gordura).

Preferir o peixe à carne é também uma atitude sensata, embora a carne das aves (sem pele, evidentemente) possa ser comida sem medos.

O vinho, o chá, o café e o cacau podem ser ingeridos, embora em doses moderadas.

 

Controle a diabetes na nossa farmácia

A diabetes é uma doença que afecta cada vez mais portugueses, pelo que as acções que têm vindo a ser desencadeadas são mais frequentes, intensas e consistentes.

Os farmacêuticos, também aqui, têm uma importância capital, colaborando na iniciativa de promoção de saúde de âmbito nacional. Fale connosco!

Conheça a diabetes

 Diabetes

 

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença do sistema endócrino: envolve uma glândula – o pâncreas – e uma hormona – a insulina. O que está em causa é a forma como o organismo utiliza a glucose, açúcar produzido e armazenado pelo fígado mas também fornecido pelos alimentos e que constitui a principal fonte de energia do corpo humano.

Numa pessoa saudável, após cada refeição, o organismo decompõe os diversos nutrientes, que são absorvidos pelos intestinos e daí libertados para a corrente sanguínea. O que acontece com a glucose é que a sua entrada no organismo desencadeia a intervenção do pâncreas, fazendo-o fabricar insulina e lançá-la no sangue. É esta hormona que vai facilitar o acesso da glucose às células, funcionando como uma chave. À medida que a insulina circula vai diminuindo a quantidade de açúcar no sangue (glicemia), o que, por sua vez, faz diminuir a actividade do pâncreas.

Mas sem insulina, ou com insulina em quantidade insuficiente, a glucose permanece no sangue – e níveis de açúcar mais elevados do que o normal podem abrir caminho a um vasto conjunto de problemas de saúde. É o que acontece com a diabetes.

 

Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário - concebido para proteger o organismo de bactérias e vírus – ataca as células produtoras de insulina, no pâncreas, destruindo-as. O resultado é pouca ou nenhuma insulina para actuar sobre a glucose, o que faz com que ela se acumule no sangue. Também designada como diabetes insulinodependente, pode ocorrer em qualquer idade, mas surge tipicamente na infância e adolescência.

Bastante mais comum - correspondente à grande maioria dos casos – a diabetes do tipo 2 prende-se com a forma como o organismo metaboliza a glucose. Assim, em vez de penetrar nas células, a glucose mantém-se na corrente sanguínea, por uma de duas razões: ou o pâncreas produz pouca insulina ou as células se tornam resistentes a esta hormona.

 

Quais são os principais factores de risco?

Em relação à diabetes tipo 1, não se pode falar propriamente em factores de risco. Não se conhecem ainda os mecanismos que estão por detrás da disfunção do sistema imunitário, tudo apontando para a influência de factores genéticos e a exposição a determinados vírus.

Já na diabetes tipo 2, estão identificados alguns factores de risco, com destaque para o excesso de peso e obesidade e para a inactividade. Está provado que quanto mais tecido adiposo se tem – sobretudo abdominal – mais as células se tornam resistentes à insulina. O que se agrava num quadro de sedentarismo: é que o exercício físico ajuda a controlar o peso, na medida em que há um maior gasto de energia (logo uma maior utilização da glucose, o que torna as células mais sensíveis à insulina).

As mulheres apresentam um risco muito particular: as que tiveram diabetes gestacional ou deram à luz filhos com quatro ou mais quilos têm uma maior probabilidade de desenvolver diabetes.

Ter antecedentes familiares também aumenta o risco, o mesmo acontecendo com a idade: a incidência da diabetes tipo 2 aumenta à medida que os anos passam, embora esteja a aumentar significativamente entre as crianças e os adultos jovens. Uma influência nefasta de um estilo de vida em que predominam escolhas pouco saudáveis.

 

Quais os principais sintomas?

Os sintomas são comuns aos dois tipos: quando a glucose sobe para valores acima dos normais, o resultado pode ser aumento da quantidade de urina e da sede, sensação de fome, perda de peso rápida, fadiga e problemas de visão (como se estivesse nublada). A diabetes do tipo 2 também pode ser denunciada pela dificuldade em cicatrizar feridas e por infecções frequentes. Nem todas as pessoas apresentam estas manifestações, mas na sua presença deve consultar-se um médico.

 

Como se diagnostica a doença?

O diagnóstico passa essencialmente pela realização de testes sanguíneos, de modo a medir os níveis de açúcar no sangue – glicemia. Outros testes mais específicos permitem identificar qual o tipo de diabetes, a partir daí se definindo o tratamento.

 

Como se trata?

O objectivo do tratamento é manter a glicemia o mais próximo do normal possível e reduzir o risco das complicações associadas. O que passa por uma aliança entre a vigilância dos níveis de açúcar no sangue, uma alimentação saudável, actividade física regular, manutenção ou redução do peso, bem como por medidas farmacológicas.

No que respeita aos medicamentos, existem dois tipos: os antidiabéticos orais e a insulina. Os primeiros são utilizados apenas no tratamento da diabetes tipo 2, existindo várias alternativas que podem ser administradas isoladamente ou combinadas. Já a insulina constitui o único tratamento para a diabetes tipo 1 – dela depende mesmo a sobrevivência dos doentes -, mas é também utilizada no tipo 2, quando os medicamentos orais não conseguem controlar a glicemia.

 

Quais os valores de glicemia considerados normais?

Os valores podem oscilar em função de cada caso, mas, de uma forma geral, considera-se normal uma glicemia inferior a 110 mg de açúcar por decilitro de sangue se a medição for efectuada em jejum. Se for efectuada uma a duas horas após as refeições o limite é 145 mg/dl.

 

A diabetes tem cura?

A diabetes não tem cura. É uma doença crónica, o que significa que é para a vida. Contudo, pode – e deve - ser controlada, o que significa respeitar a terapêutica e realizar, com regularidade, o teste de glicemia de modo a verificar se os medicamentos estão ou não a fazer efeito.

 

Quais são as suas complicações?

Se não for tratada e controlada devidamente, a diabetes pode constituir uma séria ameaça para a vida.

Algumas complicações são de curto prazo, mas requerem cuidados imediatos. É o que se verifica com a hipoglicemia: os níveis de açúcar no sangue baixam causando suores, tremores, fraqueza, tonturas e náuseas. O contrário – níveis de açúcar elevados (hiperglicemia) dá origem a sintomas como vontade acrescida de urinar, sede extrema, boca seca, visão nublada e fadiga.

Outra complicação possível é a acumulação de acetona no sangue: trata-se de um ácido tóxico produzido pelo organismo quando começa a "atacar" a gordura armazenada para obter energia. Manifesta-se através sede execessiva, perda de apetite, náuseas, vómitos, dores abdominais e um hálito com odor doce e frutado.

A prazo são outros os riscos, envolvendo o coração e a rede de vasos sanguíneos, os nervos, os rins, os olhos, os pés, a pele e os ossos. No que respeita ao coração, podem surgir problemas cardiovasculares, nomeadamente doença arterial coronária (angina de peito), acidente vascular cerebral e aterosclerose. Quanto aos nervos, as principais vítimas são os capilares que os irrigam, cujas paredes vão sendo destruídas pele circulação de sangue com açúcar a mais, acabando por causar lesão no nervo. Os efeitos começam por se notar nos dedos dos pés e das mãos, com formigueiro e dormência, sensação de queimadura e dor. Sem tratamento, o resultado da neuropatia – assim se chama esta condição - pode ser a perda de sensibilidade.

Já nos rins o impacto da diabetes verifica-se na rede de capilares que funcionam como filtro dos resíduos tóxicos, com risco de insuficiência renal. E nos olhos são também afectados os capilares da retina - retinopatia diabética -, sendo na idade adulta uma causa comum de cegueira.

Particularmente vulneráveis são os pés, devido aos danos causados nos vasos sanguíneos: cortes e feridas podem abrir caminho a infecções sérias, causa frequente de amputação. As infecções espreitam igualmente a pele, que se torna mais susceptível à acção de fungos e bactérias.

Do mesmo modo os ossos vão sendo fragilizados, perdendo densidade e conduzindo, na idade adulta, a um risco acrescido de osteoporose.