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Frieiras

 Frieiras

 

Diga não às frieiras!

Quando chega o tempo frio e húmido podem chegar também as frieiras. Os dedos, dos pés e das mãos, são os seus alvos preferidos, neles deixando sinais de uma inestética inflamação.

Os dedos incham, ficam avermelhados, dão comichão...e incomodam muito! Pode haver dor e nalguns casos formam-se feridas. As frieiras são lesões inflamatórias localizadas que correspondem a uma reacção anormal ao frio. O que acontece é uma contracção dos vasos sanguíneos que impede o sangue de alcançar a extremidade dos dedos, onde, além do mais, as veias e artérias são muito finas.

Há pessoas com mais propensão do que outras para o aparecimento de frieiras: as mulheres mais do que os homens, até porque mais facilmente mexem em água (para lavar a louça ou a roupa, por exemplo), quem sofre de anorexia nervosa e quem sofre de hipotiroidismo (funcionamento deficiente da glândula tiróide). Porém, o meio ambiente também tem a sua responsabilidade, já que as frieiras se circunscrevem aos meses mais frios e húmidos, com a sabedoria popular a ditar que se curam com os pós de Maio.

A prevenção é a arma mais eficaz contra esta inflamação, devendo-se evitar apanhar frio nas extremidades, manter o ambiente em casa aquecido mas sem colocar as mãos no calorífero, usar luvas para os trabalhos domésticos, praticar exercícios que activem a circulação sanguínea.

Mas, quando as frieiras já se declararam, há que friccionar com uma pomada adequada, gorda e à base de vitamina A ou óleo de fígado de bacalhau, que alivie a comichão e a eventual dor. Álcool dissolvido em água também ajuda. Nos casos de haver ulceração, o melhor é ir ao médico.

 

Borbulhas: nada de espremer!

Uma inestética borbulha no rosto, a primeira tentação é espremer. Mas resista, porque ficará ainda pior. São múltiplos os factores que podem fazer emergir uma borbulha e pontos negros, mesmo na pele que quem já é adulto. O stress e determinados medicamentos têm a sua quota parte de responsabilidade, enquanto nas mulheres a toma da pílula e o período menstrual podem fazer aparecer aqueles desagradáveis símbolos de uma pele pouco saudável. O que acontece é uma obstrução dos poros, que impede a saída da gordura naturalmente produzida pelas glândulas sebáceas. Quando a obstrução, causada pelo acumular e endurecimento de células mortas, é ligeira, toma a designação de ponto negro, uma cor que se deve à oxidação da gordura. Se a obstrução é total, a gordura permanece sob a pele, dando origem a um ponto branco em relevo.

O avermelhado surge quando há infecção dos poros obstruídos. O que fazer então? Espremer, não, pois podem ficar cicatrizes. Mas se não resistir, então comece por lavar o rosto com água morna, por forma a dilatar os poros. Depois, com as mãos bem limpas, pressione ligeiramente até extrair o ponto negro ou a borbulha. Mas nada de apertar muito, pois corre o risco de lesionar a pele.

Para eliminar os pontos negros e as borbulhas existem produtos específicos, que pode encontrar na sua farmácia. Pode igualmente recorrer a cremes esfoliantes, que normalizam a escamação cutânea e evitam a retenção da gordura. Para prevenir, mantenha a pele limpa, não abuse da maquilhagem, de noite deixe a pele respirar livremente, desmaquilhando-se sempre antes de se deitar, se frequenta um ambiente muito poluído retire-a com um leite de limpeza, lave diariamente o rosto apenas com água e limpe-se sem esfregar.

 

Inverno: plano contra a pele seca!

O frio, o vento, o ar condicionado, o aquecimento excessivo... tudo contribui para agredir a pele no Inverno. Deixando-a seca, por vezes até estar encarquilhada, e abrindo caminho ao envelhecimento prematuro. É que no Inverno a pele também tem sede de água e fome de lípidos.

O que fazer então? Há que restabelecer a integridade da barreira cutânea, através do uso de fórmulas ricas em lípidos, mas não gordurosas. E há que proteger a pele, de manhã e à noite, prolongando o tratamento por quatro semanas, que é quanto dura o processo de renovação cutânea. Trata-se de alimentar a pele, mas não necessariamente de a deixar a brilhar de tanta gordura, sendo pois fundamental escolher fórmulas adaptadas ao grau de secura do seu rosto.

Quando os primeiros sinais de manifestam, começando a sentir a pele esticar, pode optar por emulsões ligeiras para peles normais ou secas. Se já sente a pele esticar muito, isso significa que ela já está muito seca, pelo que o melhor é um creme à base de óleos vegetais, devido ao seu elevado teor em ácidos gordos e vitamina A.

Aqui ficam mais alguns conselhos para dar de beber à sua pele este Inverno:

- Faça uma máscara hidratante uma vez por semana;

- Não aplique o creme hidratante sobre o contorno do olho, havendo produtos específicos para esta zona do rosto, de pele mais frágil;

- Beba litro e meio de água por dia;

- Use água termal para lavar o rosto, em vez de água corrente.

 

Aligeirar as pernas

Se ao fim do dia, as pernas lhes pesam como se fossem grilhões, então do que está a precisar é de um banho de ligeireza. Um banho na verdadeira acepção da palavra, de imersão, mas sem a água demasiado quente. Assim: A temperatura da água não deve ultrapassar os 35º, porque o calor da água, tal como o do sol, dilata as veias e faz aparecer varizes. Para mais conforto, o melhor é aquecer a casa de banho, em vez da água. O banho não deve exceder os dez minutos e só duas vezes por semana. Na banheira, claro.

Porque o duche faz parte da higiene diária. Se tiver algum problema circulatório associado à celulite, junte à água algumas gotas de óleo essencial de limão. Termine o banho com um duche frio, que tem um efeito vasoconstritor e, ao mesmo tempo que refresca as pernas, permite fechar os vasos sanguíneos. Aplique depois um gel específico para pernas cansadas. E durma com as pernas ligeiramente elevadas.

Fonte: ANF

Viver cansado

 Viver cansado

 

Imagine uma pessoa que se sente sempre no limite das suas forças, que não consegue dar rendimento a 100%, que se deita e acorda cansada, como se vivesse sempre cansada. Cansada até de estar cansada. Essa pessoa provavelmente sofre da chamada síndrome da fadiga crónica.

Foi só nos anos 80 que a doença mereceu alguma atenção, na altura apelidada de "gripe dos yuppies", por afectar sobretudo pessoas brancas, de meia idade e bem instaladas profissionalmente, aquelas que - daí o nome - duas décadas antes tinham protagonizado o movimento yuppie. Chamavam-lhe gripe por semelhança dos sintomas - dores de cabeça, dores musculares e na garganta, entre outros.

Durante anos foi ignorada e menosprezada e nem mesmo os médicos a consideravam doença. Em consequência, os doentes eram vistos como preguiçosos incuráveis - queixavam-se de estar sempre cansados - ou então como apresentando problemas psicológicos e tratados à base de antidepressivos.

Apesar disso ainda subsiste quem duvide de que esta é realmente uma doença e os próprios doentes habituaram-se a conviver com estes sintomas anos a fio, renunciando a procurar um médico e combatendo cada manifestação isoladamente, muitas vezes à base de analgésicos, já que a dor é o denominador comum da fadiga crónica.

A síndrome de fadiga crónica é, efectivamente, uma doença complexa, que acaba por interferir com a qualidade de vida dos indivíduos, afectando-os mesmo a nível familiar e socio-profissional. Viver ou trabalhar com uma pessoa que está sempre cansada não é - há que reconhecê-lo - estimulante, nomeadamente porque a depressão é uma das suas manifestações mais severas.

 

Uma bola de neve

A fadiga intensa aparece de forma inesperada e instala-se lentamente, sobretudo em mulheres de raça branca e com idades entre os 25 e os 50 anos, se bem que homens e indivíduos de outras raças e idades possam também ser afectados.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que a incidência desta síndrome seja de 75 a 250 casos por cada 100 mil pessoas. Calcula-se ainda que a prevalência de mulheres afectadas é três vezes superior à de homens.

Desconhece-se uma causa exacta, mas sabe-se que há factores orgânicos e psicológicos implicados e que mesmo a hereditariedade tem uma palavra a dizer. Assim, quando um indivíduo começa a sentir indícios de fadiga crónica muito cedo, apresentando sintomas intensos mas poucos factores causadores de stress, é bem provável que haja uma intervenção dos antecedentes familiares.

O stress é uma das principais fontes geradoras de fadiga crónica, porquanto obriga o organismo a adaptar-se. Nesse esforço - que tanto pode ser de resistência como de compensação - o organismo corre o risco de ficar debilitado, desencadeando sintomas que podem terminar em exaustão.

Quando se trata da síndrome de fadiga crónica, a verdade é que o stress é como uma bola de neve, ou, se quisermos, uma pescadinha de rabo na boca: o stress contribui para o cansaço extremo e este por sua vez gera mais stress.

Mas há igualmente alterações orgânicas que intervêm na fadiga crónica, pelo menos é o que acreditam os investigadores que relacionam esta síndrome com glândulas como a hipófise e a tiróide e com a insuficiente produção das respectivas hormonas.

 

E a depressão?

Assim, enquanto 2,5% da população já sofreu, pelo menos uma vez na vida, de um episódio depressivo, essa taxa aumenta para 25% entre as pessoas com fadiga crónica.

Não se pode, apesar disso afirmar, que a depressão seja a causa da síndrome. Provou-se que está relacionada e que nestes doentes a falta de entusiasmo e a dificuldade em lidar com a rotina podem evoluir para uma depressão. Convém, no entanto, salientar que estas pessoas não apresentam distúrbios psíquicos, apesar do abatimento que advém dos sintomas da fadiga crónica. Não devem, pois, ser vistas como tendo apenas problemas depressivos e muito menos como arquitectos de queixas imaginadas e falsas. Ainda assim, e porque a depressão acompanha a síndrome da fadiga crónica, a terapia pode passar também pela toma de antidepressivos leves, que ajudam a estabilizar o sono, por exemplo.

Dada a diversidade de sintomas não existe uma medicação específica. Para aliviar as dores são propostos analgésicos e anti-inflamatórios. É igualmente frequente que sejam administrados fármacos para revitalizar as funções supra-renais e regular a produção de hormonas.

Para relaxar os músculos, um banho de água morna é um bom aliado, massagens também ajudam. E para melhorar o estado físico em geral nada como praticar exercício.

O diagnóstico também é feito por parcelas, ou melhor, por exclusão de partes, já que os sintomas da fadiga crónica são comuns a muitas outras doenças. A diferença reside na conjugação desses sintomas por um período de tempo prolongado numa pessoa que anteriormente não os apresentava e com tal gravidade que provoca alterações significativas na sua rotina de vida.

É precisamente no quebrar dessas rotinas que pode estar uma ajuda para minorar as consequências desta complexa doença. Não se trata de uma mudança radical de vida, mas médicos e terapeutas propõem que as pessoas se disponibilizem a levar uma vida mais calma, evitando expor-se a situações geradoras de grande stress físico ou psicológico, equilibrando os momentos de actividade com os de repouso.

A verdade é que a síndrome da fadiga crónica pode ser incapacitante, embora o doente pareça estar bem. Os sintomas podem não parecer graves, mas são. E muitos doentes sofrem em silêncio, sujeitos à incompreensão que advém do facto de a doença ainda ser pouco divulgada. Assim, quando nos deparamos com alguém que pareça viver sempre cansado, o mais provável é que essa pessoa não seja preguiçosa, mas que sofra de fadiga crónica sem supeitar.

 

Sintomas

A depressão anda de facto associada à fadiga crónica. Estudos efectuados concluíram que pessoas com esta síndrome têm uma taxa muito maior de depressão do que o resto da população. Não se conhece uma causa única para a síndrome da fadiga crónica, mas antes um conjunto de sintomas que, manifestando-se em simultâneo e prolongadamente, permitem concluir que se está perante esta doença. Conheça-os, pois:

  • lapsos de memória
  • dificuldade de concentração
  • garganta inflamada
  • dores musculares
  • dores nas articulações
  • enxaquecas
  • perturbações gastro-intestinais
  • alterações de sono e sono não reparador
  • depressão
  • ansiedade

Estes são os sintomas primários, mas há outros sintomas que podem aparecer na fadiga crónica, a saber: tosse, diarreia, tonturas, olhos e boca secos, dores de ouvido, batidas cardíacas irregulares, náuseas, suores nocturnos, irritabilidade, dificuldade em respirar, formigueiro nas mãos, perda de peso.

O que fazer?

- relaxar os músculos, através de massagens e banhos mornos;

- praticar exercício, de modo a activar a circulação e a estimular as articulações;

- fugir das situações geradoras de stress;

- guardar tempo para o descanso, fazendo uma gestão mais equilibrada dos momentos de actividade e de repouso;

- aligeirar a rotina diária;

- e, naturalmente, consultar um médico, pois só ele saberá fazer o diagnóstico e recomendar a terapia, que, além de uma vida mais calma, pode passar por fisioterapia e pela administração de medicamentos (analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, anti-depressivos).

 

Dores sem razão

A síndrome da fadiga crónica coexiste em muitos doentes com outra patologia, igualmente sem razão aparente: a fibromialgia. Doença crónica, manifesta-se através de cansaço generalizado e dores em várias partes do corpo, concentradas sobretudo nos pés, ombros, coluna e pernas. Sente-se como um ardor que invade o corpo, acompanhado de espasmos musculares.

Ainda por identificar estão as causas desta doença que - calcula-se - afecta entre 4 a 15% da população, dela sofrendo mais as mulheres entre os 35 e os 50 anos. Aliás, em dez pessoas atingidas nove são do sexo feminino.

Os diversos estudos efectuados tendem para relacionar a fibromialgia com o défice das substâncias que normalmente protegem os seres humanos da dor: a noradrenalina e a serotonina. Assim se explica que estas pessoas apresentem também quadros depressivos, já que aquelas duas substâncias são igualmente reguladoras do humor.

Na ausência de uma causa específica, também não há um tratamento exclusivo, mas sabe-se que há factores de risco a evitar, nomeadamente a obesidade e a ansiedade.

Quanto às várias opções de terapia, são muito semelhantes às da síndrome da fadiga crónica, até porque há sintomas comuns: exercício físico para fortalecer a massa muscular, massagens, nadar em piscinas de água morna, medicamentos que aumentam os níveis de serotonina. Sublinhe-se que o exercício funciona como um analgésico natural, na medida em que estimula a produção de endorfina, uma substância "dois em um", já que reduz a dor e proporciona uma boa noite de sono. Mexa-se, pois: só tem boas razões!

Fonte: ANF

O sub-mundo da dor

 O sub-mundo da dor

 

A dor é universal e complexa. Todos nós já a sentimos pelo menos uma vez na vida. Uma dor de cabeça, de dentes ou até mesmo uma "dor de cotovelo".

A dor é um estado intrínseco ao ser humano. Todos nós estamos sujeitos à dor, pois ela é um estado universal, não escolhe pessoas, idade ou sexo. É também um sintoma complexo, sendo fruto de factores físicos ou até mesmo psíquicos.

Embora esteja normalmente associada a situações desagradáveis existem estados em que a dor é sinónimo de alegria e boa forma física. É o caso das dores de parto, das dores musculares após exercício físico, entre outras.

A dor é única e traduz-se numa inter-relação com a nossa condição biológica, psicológica e cultural. Existem culturas, como a oriental, em que o sofrimento pela dor não é visto como caso de pena ou miséria. Sofrer significa portanto ser-se forte e intocável. Inversamente, a nossa sociedade vive a debilidade com alguma compaixão e tem para com ela uma visão distanciada. As pessoas não partilham os seus sintomas com quase ninguém. Vivem na solidão com a sua dor, como uma pena que têm que pagar.

A mentalidade face à dor está ainda sujeita a uma "reforma". Mas para isso, o sofrimento tem que deixar de ser visto com compaixão para passarem a ser analisadas as causas e razões do seu aparecimento. O posterior tratamento tem que ser trabalhado conjuntamente com o médico e a equipa de fisioterapia. É através deste trabalho contínuo que o doente poderá voltar a ter uma vida mais confortável. Exercício, técnicas de relaxamento e ocupação da mente são algumas das opções para nos esquecermos da dor.

 

O processo da dor

Mas para percebemos um pouco mais sobre este submundo convém entrarmos no campo mais científico. Assim, cientificamente falando a dor não é mais do que o resultado da detecção de um estímulo desagradável pelo sensor nervoso - o "nociceptor". O ser humano possui milhões de sensores espalhados pela pele, ossos, articulações, músculos e órgãos internos. Cada sensor está "programado" para reagir a diferentes estímulos, uns ao calor, outros ao frio ou à pressão. Estes estão também aptos à detecção de qualquer tipo de inflamação fruto de um ferimento, doença ou infecção.

A dor é o sinal resultante do impulso que ocorre nas células nervosas. Este impulso pode ter ritmos diferentes, dependendo da gravidade e natureza da doença.

O sintoma da dor não se resume a uma simples passagem de estímulos. Até chegar ao nosso cérebro a dor percorre um longo caminho passando por filtros das nossas experiências pessoais. Se estamos com uma alto nível de stress, a recepção da dor vai ter maior impacto do que se estivéssemos totalmente relaxados e psicologicamente controlados. É neste campo que os tratamentos são mais necessários ou mesmo imprescindíveis. O foro psicológico de um doente vai condicionar em muito o sucesso do tratamento. Como foi dito anteriormente o processo da dor funciona como um todo, onde a cultura/meio ambiente, vector psicológico e o físico são partes fundamentas a ter em conta no processo de tratamento.

 

Dores agudas e crónicas

Na generalidade, faz-se a divisão da dor em duas categorias: as agudas e as crónicas. As dores denominadas agudas são temporárias, relacionadas com sensações físicas. Podem durar poucos segundos a vários meses, mas geralmente a sua intensidade diminui quando a ferida começa a sarar. Temos como exemplo uma queimadura, fractura, distensão muscular ou as dores pós-operatórias.

Quanto às crónicas, normalmente a sua duração ultrapassa o tempo normal da dor aguda. Estas começam por ser agudas e com o evoluir da doença passam a crónicas, tornando-se mais difíceis de solucionar. As dores crónicas podem ser o resultado de doenças como a diabetes, herpes ou até mesmo de traumas pós-cirurgicos. Podem também aparecer sem nenhuma doença prévia, no caso dos nervos continuarem a enviar mensagens de dor ao cérebro. Como sintomas secundários da dor crónica temos a diminuição da autoestima, tristeza, agressividade e depressão.

 

Evitar o sofrimento

Existem no mercado medicamentos para atenuar o sofrimento, qualquer que seja o tipo de dor. Também as terapias de relaxamento, onde o factor psicológico é mais rapidamente alcançado, podem ser bastante eficazes.

Se for daquelas pessoas que não gostam de estar "dependente" de medicamentos então opte por técnicas de relaxamento, por uma terapia ocupacional, exercício físico ou terapia familiar, consoante a causa da dor.

As técnicas de relaxação, tal como a meditação e o yoga, permitem ao doente treinar a mente no sentido de focalizar a sua atenção noutra coisa e esquecer a dor. A relaxação tem a vantagem de poder ser feita mesmo em casa, a ouvir música.

A terapia ocupacional por seu lado, ajuda o paciente a retornar às suas tarefas do quotidiano, quer em casa quer no trabalho. Tal como na meditação, o foco da nossa mente deixa de estar centrado na dor e passa então a ser ocupado por outro assunto.

A terapia física, através de exercício, poderá ser outra solução. À primeira vista podemos associar o exercício físico ao aumento da dor. No entanto, os médicos aconselham o retorno gradual ao exercício pois ajuda a relaxar os músculos que até então estavam mais contraídos e tensos.

Como última opção temos a terapia familiar. Esta é uma óptima ajuda para o doente, pois ao sentir-se novamente integrado e útil em casa aumentará a sua autoestima originando numa melhoria psicológica.

A dor pode ser universal, no entanto, ninguém tem o direito a sofrer. Não se podendo evitar a dor, tentar diminuí-la já é um princípio. A chave do sucesso do controlo da dor é então o tratamento precoce, assim como uma estreita relação de comunicação entre o paciente e o médico.

Fonte: ANF

Fibromialgia

 Fibromialgia

 

Dores por todo o corpo. Músculos tão tensos ao levantar que é difícil movimentar-se. Sensação de fadiga constante e dificuldade em adormecer. Este é o cenário familiar às pessoas que sofrem de fibromialgia.

A fibromialgia traduz-se por dores crónicas nos músculos, ligamentos e tendões. É frequentemente denominado de síndroma de fibromialgia, uma situação que envolve vários sintomas que ocorrem conjuntamente.

Apesar de ainda não se conhecer tudo sobre o fenómeno, sabe-se já que o principal sintoma da fibromialgia são as dores.

A dor pode apresentar-se sob a forma de um ataque agudo. Por vezes é também identificada pelos doentes como uma sensação de queimadura. É frequentemente acompanhada por uma sensação de endurecimento nos músculos, tendões e ligamentos.

Embora possa parecer-se com uma enfermidade das articulações, não é uma forma de artrite e não provoca deformações nas articulações. A fibromialgia pode estar associada a dificuldades em adormecer, fadiga, ansiedade, stress, depressão, entorpecimento, dores de cabeça, tremuras das mãos e dos pés, problemas de digestão e sensibilidade às mudanças de temperatura.

 

Tendência para se tornar crónica

Os sintomas podem aparecer e afastar-se, mas tipicamente nunca desaparecem completamente. Na maior parte dos casos são mais graves durante o primeiro ano em que a situação ocorre. Embora tenha tendência para se tornar crónica, a fibromialgia não é progressiva nem representa uma ameaça à vida.

Os médicos têm ainda muito para aprender sobre as causas da fibromialgia. Há numerosas teorias, mas nenhuma está ainda provada. Uma teoria é que certos factores - como o stress, falta de exercício físico, carência de sono e traumas físicos ou emocionais - podem provocar a situação em pessoas que são mais susceptíveis à dor.

Outros cientistas acreditam que o síndroma pode estar ligado a um ferimento ou trauma que afecte o sistema nervoso central. Os investigadores estão ainda a explorar a possibilidade de associações com outros factores.

 

Uma dor que persiste apesar de tudo parecer bem

A fibromialgia é diagnosticada com muito maior frequência entre as mulheres do que nos homens. No entanto, alguns médicos teorizam que a fibromialgia pode ser muito mais comum entre os homens do que aquilo que as estatísticas indicam, o que talvez se possa explicar pelo facto de que eles estão muito menos dispostos a consultar um médico devido apenas a dores generalizadas.

Não é fácil diagnosticar a fibromialgia. Não há ainda um teste que possa confirmar ou determinar esta situação clínica. Por outro lado, muito dos sintomas imitam os de outras doenças, como uma baixa produção de hormonas da tiróide, a doença de Lyme ou a artrite reumática.

Em muitos casos, os doentes de fibromialgia obtém resultados de total normalidade quando se submetem a vários testes médicos. E contudo a dor persiste em manifestar-se.

 

A importância de dormir

Para muitas pessoas com fibromialgia, dormir não representa uma fuga aos dolorosos sintomas que sofrem durante o dia. A fibromalgia é uma doença que leva muitos dos seus pacientes a enfrentar problemas de sono.

O repouso insuficiente agrava os sintomas. No entanto, os doentes de fibromialgia podem fazer alguma coisa para melhorar as suas noites. Aqui ficam algumas respostas às perguntas mais frequentes sobre a fibromialgia e o repouso:

- Dormir mal afecta os sintomas da fibromialgia?

A falta de repouso agrava a fadiga. As dores musculares e ósseas são também acentuadas quando não se dorme o suficiente. Mas sofrer dores musculares quando não se dorme bem pode ter causas que não sejam a fibromialgia.

Dado que as pessoas com fibromialgia conseguem ter apenas um sono leve e não restaurador, o seu corpo nunca descansa o suficiente. Além disso, revolvem-se na cama durante toda a noite, o que mantém os músculos tensos e activos. As pessoas com padrões de sono normal geralmente acordam com uma sensação refrescante. Mas os que sofrem de fibromialgia podem sentir um mal estar considerável quando se levantam pela manhã.

- Que fazer para dormir melhor?

Há um certo número de alterações de comportamento que podem ajudar. Deitar-se e acordar sempre às mesmas horas para ajustar o relógio interno é uma boa ajuda.

Quando não consegue adormecer, levante-se e vá para outra sala ler ou fazer qualquer outra coisa de relaxante. Quando a sonolência surgir, volte para a cama e faça uma nova tentativa. É possível que tenha que repetir este gesto várias vezes durante a noite.

Fazer exercício regularmente, durante o dia ou ao princípio da noite proporciona um sono melhor. Mas faça esses exercícios algumas horas antes de ir para a cama. É também conveniente evitar a cafeína e o álcool.

- Que medicamentos usar?

Certos tipos de antidrepressivos são os medicamentos mais geralmente receitados para melhorar o sono das pessoas que sofrem de fibromialgia. No entanto, se estes medicamentos podem ser benéficos a curto prazo, o seu uso a longo prazo não é geralmente aconselhável. Depois de um certo período, o organismo tende a tornar-se resistente aos seus efeitos.

Por outro lado, o seu uso regular pode criar dependência, dando assim origem a novos problemas. Nunca os tente obter sem prescrição médica.

 

Fazer o possível

Não há cura conhecida para a fibromialgia. Mas a combinação de alguns dos passos abaixo mencionados poderão ajudar a limitar os sintomas:

  • Evite o stress - tente impedir ou limitar a sobreexcitação e o stress emocional. Mas mantenha a actividade. As pessoas demasiado inactivas podem tender a sentir-se pior do que aqueles que se mantêm activos;
  • Pratique exercício regularmente - ao princípio, o exercício físico pode fazer aumentar as dores. Mas feito com regularidade melhora a sua condição física. Exercícios apropriados incluem caminhar, nadar, andar de bicicleta e aeróbica. Procure fazer exercício durante 20 a 30 minutos mais do que uma vez por semana;
  • Regularize o sono - Tente criar hábitos regulares de sono e descanse o suficiente todas as noites;
  • Medicamentos - medicamentos contra as dores vulgares, em doses moderadas, podem aliviar alguns estados de sofrimento. Poder-lhe-ão ainda ser prescritas pequenas doses de antidepressivos para regularizar o sono.

Fonte: ANF

Ai as minhas costas!

 Ai as minhas costas!

 

Raramente damos por isso, mas a verdade é que as costas suportam a maior parte do nosso peso. No café, no autocarro e, mesmo, lá em casa - há sempre alguém a queixar-se de insuportáveis dores nas costas, uma estrutura delicada onde praticamente se baseiam todos os movimentos o corpo.

Exercício muscular a menos, peso a mais (especialmente lá pela meia-idade), uma maneira de sentar que exagera as curvas naturais do corpo. Stress, carregamento de pesos, posições defeituosas durante o trabalho (incluindo a utilização do automóvel). Lá surge aquela queixa tão habitual: Ai, as minhas costas!

As dores das costas podem ter múltiplas origens. Eis as mais habituais:

- Esforços musculares e espasmos

Dores musculares, a que outrora se chamava habitualmente lumbago, são sinal de músculos cansados devido a esforços, ou a tendões e ligamentos inflamados ao longo da espinha dorsal. Se fizermos um esforço com a espinha dorsal, pode-se sentir uma dor imediatamente ou desenvolver um ferimento ou endurecimento que só notamos mais tarde. Espasmos musculares podem ocorrer após uma pancada nas costas. O espasmo é precisamente a resposta das costas a essa pancada, por forma a provocar a imobilização e a evitar problemas mais graves.

- Osteoartrite

Geralmente designada apenas por artrite é uma enfermidade que afecta quase toda a gente a partir dos 60 anos. O carregamento de pesos excessivos, uma pancada ou a idade podem lentamente deteriorar a cartilagem, o tecido protector que cobre a superfície das ligações vertebrais. Assim, os discos situados entre as vértebras ficam desgastados, ao mesmo tempo que se encurta o espaço entre os ossos. Formam-se também os chamados bicos de papagaio. Gradualmente, a espinha vai perdendo a sua flexibilidade. Como as ligações vertebrais se encostam umas às outras com maior intensidade do que o normal, as superfícies de encontro tornam-se irregulares, as cartilagens desgastam-se e o resultado pode ser a dor.

- Ciática

Cerca de dez por cento das pessoas que se queixam de dores na costas sofrem de ciática, nome derivado do grande nervo ciático que sai da bacia e se estende ao longo da face posterior da coxa. A inflamação desse nervo ou a compressão de nervos na parte inferior das costas ou das nádegas podem provocar ciática. Sente-se a dor a expandir-se desde as costas até às nádegas, depois até à parte inferior da perna. Formigueiros, dormência e fraqueza muscular acompanham por vezes a compressão dos nervos. Tossir, espirrar e outras acções que exercem pressão sobre a espinha podem fazer piorar a ciática. Habitualmente, a dor desaparece por si mesma. Contudo, uma forte compressão dos nervos pode causar progressivo enfraquecimento muscular.

- Osteoporose

O nível de cálcio nos ossos decresce com o passar da idade, enfraquecendo a estrutura dos ossos. Em certos casos as vértebras ficam comprimidas, tendo como resultado dores nas costas. Uma em cada três mulheres com mais de 50 anos é afectada pela osteoporose. A compressão progressiva das vértebras leva muitas a uma gradual perda de peso, especialmente nas mulheres após a menopausa. Frequentemente ocorrem também alterações estruturais que se traduzem em posturas irregulares.

- Hérnia discal

Um disco deslizante, assim se pode descrever esta afecção. Embora realmente não haja deslize nenhum, o uso normal ou esforçado pode levar o disco a inchar ou à ruptura (hérnia). Quando ocorre a hérnia, partes do disco podem sair da sua posição normal entre as vértebras. A dor surge quando um fragmento do disco com hérnia exerce pressão sobre um nervo adjacente.

- Pancadas e acidentes

O decréscimo do tónus muscular que ocorre com a idade é propício às dores nas costas, especialmente as causadas por pancadas. O aumento de gordura em torno do abdómen desvirtua o equilíbrio e aumenta o risco de pancadas e acidentes.

- Fibromialgia

Este síndroma caracteriza-se por dores agudas e endurecimento dos músculos nas áreas em que os tendões se ligam aos ossos. A dor muitas vezes piora após um período de inactividade e tende a melhorar com o movimento.

 

O exercício como arma

Passemos, agora, ao enunciar de um conjunto de regras que ajudam a evitar e a combater as dores nas costas. O exercício regular é a arma mais potente. A actividade faz aumentar a capacidade aeróbica, melhora o estado de saúde geral e ajuda a perder uns quilos a mais que vão pesar sobre as costas.Eis algumas sugestões gerais para um tratamento de fisioterapia:

Comece lentamente: Se está fora de forma por falta de actividade, os músculos poderão estar fracos e susceptíveis de sofrer ataques externos. Fique tranquilo e não cometa excessos. Vá aumentando esses períodos de exercício físico à medida que se sinta mais forte.

Exercícios inteligentes: De uma maneira geral, a natação e outras actividades físicas dentro de água são as melhores para as costas, porque se realizam num ambiente de ausência de peso, que produz uma acção mínima sobre as costas. As bicicletas de ginástica ou as de montanha são menos saudáveis para as nossas costas do que uma simples corrida num terreno plano. A bicicleta é, no entanto uma boa opção, desde que se assegure uma distância correcta entre o selim e os pedais. Mas já o golfe exige uma boa protecção de aquecimento das costas para se poder estar preparado para o total de actividade exigido. Uma pessoa com problemas musculares das costas deve sempre evitar o excesso de esforços. Nem deve mesmo tentar tocar os dedos dos pés com os das mãos. Actividades desportivas que exigem grande movimentação corporal devem igualmente ser evitadas, como o ténis, o basquete e desportos de contacto.

 

Uma questão de equilíbrio

A maior parte do tempo damos muita pouca atenção às nossas costas...a não ser que comecem a doer. Mas, na verdade, que representam as costas para qualquer um de nós?

A resposta é uma questão de equilíbrio. Os carros têm quatro rodas, as cadeiras têm quatro pernas. E os nossos parentes mamíferos caminham sobre quatro patas, tanto faz que sejam minúsculos ratos como avantajados elefantes. São os quatro pontos de apoio que tornam fácil o equilíbrio.

Mas os seres humanos mantêm-se em pé e caminham apenas com duas pernas - que representam, aliás, uma notabilíssima peça de engenharia.

Os músculos contraem-se e relaxam-se para lhe permitir estar em pé. Os tendões estabelecem a ligação entre os músculos e os ossos das costas (as vértebras). Os ligamentos - tecidos fibrosos conectivos - colam o conjunto das vértebras. A espinha dorsal é também uma capa protectora da espinal medula, o corredor principal do sistema nervoso central.

É necessário um delicado trabalho de equipa entre ossos, músculos, ligamentos, tendões e nervos para equilibrar o peso do corpo e os pesos que temos de carregar.

Fonte: ANF

Dores de Cabeça - o alívio que vem do escuro

 Dores de Cabeça - o alívio que vem do escuro

 

É no escuro e no silêncio que os doentes que sofrem de enxaquecas buscam alívio. Trata-se de uma dor de cabeça mas não igual às outras, é mais forte e latejante e afecta sobretudo mulheres e na idade activa: é a influência das hormonas e do stress.

Quando a dor persiste por horas ou mesmo dias, quando se declara apenas num dos lados da cabeça, intensa e latejante, provocando intolerância à luz e ao som e sendo, com frequência, acompanhada de náuseas e vómitos está-se perante uma enxaqueca. É uma dor de cabeça, mas não é uma dor qualquer: é que as crises são recorrentes e crónicas, o que significa que apenas se consegue alívio mas não cura.

Distingue-se ainda das demais dores de cabeça por se agravar com o esforço físico e por interferir com as actividades do quotidiano, ao ponto de ser considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma das vinte doenças mais incapacitantes. Afinal, uma enxaqueca típica pode prolongar-se por 72 horas ou mais. E pode surgir várias vezes por mês, afectando claramente a capacidade dos doentes para desempenharem as suas tarefas profissionais.

Para algumas pessoas a enxaqueca vai para além dos sintomas comuns: podem sofrer alterações na visão, vendo luzes cintilantes, linhas oscilantes ou manchas, podem sentir formigueiro ou adormecimento de um braço ou perna, e podem até registar alterações na fala. É assim que se manifesta a chamada aura, um conjunto de sinais neurológicos que precede ou acompanha a enxaqueca e que ocorre em apenas cerca de 20 por cento dos doentes.

Com ou sem aura, a enxaqueca pode ser anunciada algumas horas ou até um dia antes de se instalar: há quem sinta uma sensação de intensa energia ou, pelo contrário, de fadiga, um desejo invulgar por determinados alimentos, entre eles doces, sede acrescida, tonturas, irritabilidade, ansiedade ou depressão. É a fase premonitória da enxaqueca.

Não se sabe exactamente o que desencadeia esta dor de cabeça tão específica, mas as explicações apontam para uma combinação da genética e do ambiente. Tudo indica que haja também influência de neurotransmissores (caso da serotonina – um químico existente no sistema nervoso que ajuda a regular a dor e intervém nos processos de bem-estar físico e emocional). Sabe-se que os níveis de serotonina baixam durante uma crise de enxaqueca, o que pode levar o sistema de gestão da dor a libertar substâncias que, ao atingirem as meninges (as membranas que revestem o cérebro), causam a dor. Também se defende que a influência de péptidos vasoactivos e inflamação de vasos sanguíneos podem estar envolvidos. A toma de pílula contraceptiva nalgumas mulheres agrava, noutras melhora e há as que não sentem qualquer efeito.

Causas à parte, são conhecidos alguns factores de risco para a enxaqueca. O primeiro deles são as hormonas femininas, mais precisamente os estrogénios e as suas flutuações em momentos como a menstruação, a gravidez e a menopausa. Daí que as enxaquecas possam surgir imediatamente antes ou depois do período menstrual ou que sejam mais frequentes nas mulheres que tomam a pílula contraceptiva.

Também o consumo de certos alimentos parece atrair as enxaquecas: assim acontece com o álcool, sobretudo cerveja e vinho tinto, com o queijo, em particular curado, o chocolate e o aspartame (adoçante), bem como com a cafeína, os produtos salgados. Saltar refeições ou fazer jejum é igualmente nefasto.

Nesta balança pesam ainda o stress, o que justifica que a maioria dos doentes esteja na idade activa, e mudanças nos padrões de sono – dormir pouco ou demasiado é desaconselhado para quem sofre de enxaquecas, sendo também de evitar o jet lag, a diferença de fusos horários própria das viagens para outras latitudes.

Há ainda que contar com alguns estímulos sensoriais, como as luzes muito brilhantes e a luz do sol ou os sons demasiado elevados. Odores invulgares, sejam agradáveis como os do perfume ou desagradáveis como os da tinta, têm o mesmo efeito.

Qualquer pessoa pode ter enxaquecas, mas a probabilidade aumenta quando se é mulher, quando se sofre alterações hormonais significativas, quando se tem até 40, no máximo 50 anos, e quando se é muito susceptível ao stress.

 

Sem cura mas tratamento

Certo é que as enxaquecas não têm cura. Têm, no entanto, tratamento, ainda que a grande maioria dos doentes não o procure. E o tratamento pode envolver duas vertentes: o alívio dos sintomas ou a prevenção. No primeiro caso pode envolver medicamentos como os analgésicos ou anti-inflamatórios não esteróides, mais adequados nas crises ligeiras, ou fármacos específicos anti-enxaqueca quando a dor é moderada a severa. Em complemento, podem ser recomendados medicamentos anti-náusea. O importante é que sejam tomados mal os sintomas despontam, de modo a obter uma maior eficácia. Deve permanecer-se em repouso, podendo ser útil o recolhimento num espaço escuro e tranquilo. Afinal, as enxaquecas agravam-se com o esforço e com luzes e sons intensos – trata-se, assim, de contrariar estes factores.

Outra alternativa terapêutica envolve uma abordagem profiláctica, passando pela toma de medicamentos que ajudam a prevenir as crises. É particularmente útil quando as enxaquecas são muito frequentes e suficientemente severas para interferirem com a actividade normal dos doentes. Estes fármacos contribuem para reduzir a frequência, duração e intensidade das dores, potenciando ainda a acção dos medicamentos para alívio dos sintomas. Entre eles, encontram-se os beta-bloqueadores, vocacionados para as doenças cardiovasculares, os antidepressivos e os anti-epilépticos.

Nas mãos dos doentes está ainda evitar, sempre que possível, os factores desencadeantes das enxaquecas, nomeadamente os alimentos de risco e a exposição a luzes e sons demasiado intensos. Manter hábitos de sono regulares, fazer exercício físico moderado, repousar e relaxar, evitando os momentos de stress, são também boas ajudas. Há outros factores mais difíceis de contornar como as alterações hormonais nas mulheres, mas são situações em que pode ser aconselhada a terapêutica preventiva.

Calcula-se que as enxaquecas afectem 10 a 15 por cento da população adulta. Porém, muito poucos são os que fazem tratamento adequado, talvez por não conhecerem a verdadeira dimensão e o impacto real deste tipo de dor de cabeça.

 

À mercê das hormonas?

Ser mulher é uma desvantagem no que toca às dores de cabeça e, em particular, às enxaquecas. Tudo devido às hormonas femininas – os estrogénios e a progesterona. Estas hormonas estão envolvidas na regulação do ciclo menstrual e na gravidez e, ao que tudo indica, também interferem com os químicos que, no cérebro, controlam o mecanismo da dor. Assim, níveis hormonais mais baixos parecem acentuar a dor, enquanto níveis mais elevados terão o efeito oposto.

Durante a menstruação, há uma queda acentuada dos níveis de estrogénios, o que torna as mulheres mais sensíveis à dor. Aliás, a dor de cabeça é mesmo um dos sintomas da síndrome pré-menstrual, podendo estender--se a todo o período. É um desconforto que se alivia com recurso a analgésicos ou anti-inflamatórios não esteróides. Porém, quando a dor é tão regular como o ciclo pode ser aconselhada medicação preventiva.

Há mulheres que têm dores de cabeça pela primeira vez quando começam a tomar a pílula contraceptiva. Mais uma vez devido aos estrogénios. Quando isso acontece de uma forma repetitiva, é de ponderar a mudança de pílula, por exemplo para uma apenas com progesterona. Mas a decisão deve ser tomada com aconselhamento médico, naturalmente.

Os níveis de estrogénios sobem rapidamente no início da gravidez, mantendo-se elevados durante os nove meses. Em consequência, as dores de cabeça podem atenuar-se ou até desaparecer, só voltando após o parto, dado que há uma queda abrupta na produção hormonal. Mas, se as dores surgirem durante a gravidez ou a amamentação, há que consultar o médico para obter a forma mais adequada de alívio: é que nem todos os medicamentos podem ser tomados.

Outra altura em que ocorre uma mudança nos padrões hormonais é a menopausa. Há mulheres que apresentam uma clara melhoria das dores de cabeça, outras que sofrem mais, independentemente de estarem a fazer terapia hormonal de substituição.

Cada caso é um caso. Há mulheres mais sensíveis aos efeitos das hormonas do que outras, mas uma coisa é certa: se as dores de cabeça perturbam as actividades habituais há que procurar tratamento.

 

Registar a dor

Manter um diário da dor pode ajudar o médico a diagnosticar e tratar melhor a enxaqueca. Assim, é útil anotar os seguintes elementos:

  • Quando é que a dor começa;
  • Onde se localiza;
  • Quanto tempo dura;
  • O que parece desencadeá-la;
  • O que parece agravá-la;
  • O que a alivia;
  • Com que frequência surge;
  • Quais os sintomas associados;
  • Que impacto no quotidiano.

Fonte: ANF