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Incontinência - Pingos embaraçosos

 Incontinência - pingos embaraçosos

 

A incontinência urinária resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina. É um problema comum mas muito constrangedor. A gravidade do problema varia bastante, desde perdas de urina ocasionais ao tossir e espirrar até uma vontade de urinar tão súbita que não permite aguentar até chegar à casa de banho mais próxima. A incontinência urinária condiciona a vida social do indivíduo, inibindo o convívio com familiares e amigos pelo medo de que ocorra uma perda involuntária de urina e a vergonha de que os outros sintam o cheiro. A preocupação em esconder o problema evita, muitas vezes, a abordagem ao acompanhamento médico e faz com que o doente recorra à utilização de fraldas, mudas de roupa suplementares ou a um reconhecimento prévio das instalações sanitárias a que poderá recorrer quando sai do seu ambiente.

Na maioria dos casos porém, mudanças simples no estilo de vida ou tratamento médico adequado podem aliviar o desconforto ou, até mesmo, solucionar o problema.

Tipos de incontinência

Fala-se em incontinência como um problema único, mas a verdade é que existem diversos tipos, a saber:

incontinência de esforço: tipo mais prevalente em mulheres acima dos 45 anos, que decorre da fragilidade dos músculos pélvicos que suportam a bexiga e a uretra. Em circunstâncias de maior esforço como tossir, saltar, correr, espirrar ou levantar pesos, a pressão abdominal aumenta a pressão dentro da bexiga e força a urina a sair pela uretra que, por sua vez, não tem capacidade para reter a urina, deixando-a sair. Nos homens este problema pode derivar da prostatectomia radical (utilizado para tratamento do cancro da próstata), uma cirurgia que pode danificar o esfíncter, provocando uma situação de incontinência de esforço.

incontinência por urgência ou imperiosidade: resulta da vontade súbita e incontrolável de urinar. Este tipo de incontinência pode estar relacionado com o envelhecimento e o avanço da idade, mas também surge em idades mais jovens, associado a doenças neurológicas ou muitas vezes sem causas identificáveis. Este tipo de incontinência urinária condiciona o dia-a-dia das pessoas.

incontinência mista: combinação de incontinência de esforço e de urgência.

Factores de risco

Qualquer pessoa pode sofrer de incontinência urinária, mas há alguns factores que aumentam a probabilidade de esta ocorrer:

Género: As mulheres são mais propensas do que oshomens a sofrer de incontinência urinária de esforço devido à falta de suporte muscular no local onde a bexiga se une à uretra, causada por relaxamento muscular resultante da idade e agravada pela menopausa. O parto pode também contribuir para esta incontinência, razão pela qual se aposta hoje muito na prevenção através da realização de treinos musculares. No entanto, os homens com problemas de próstata têm um risco maior de incontinência de esforço ou por urgência.

idade: À medida que envelhecemos, os músculos da bexiga e da uretra perdem elasticidade. No entanto, envelhecer não significa necessa- riamente que se venha a ter in- continência.

Excesso de peso: A obesidade e o excesso de peso aumentam a pressão sobre os músculos da bexiga, enfraquecendo-os e permitindo a perda de urina quando se tosse ou espirra.

Fumar: A tosse crónica associada ao tabagismo pode causar episó- dios de incontinência ou agravar a doença. A tosse constante coloca muita pressão sobre o esfíncter urinário, levando à incontinência de esforço. Fumar também aumenta o risco de bexiga hiperativa, causando contrações da bexiga.

outras doenças: Doenças renais ou diabetes aumentam o risco de sofrer de incontinência urinária.

O tratamento existe

O tratamento da incontinência uriná- ria depende do tipo de incontinência que se tem mas pode ser feito com fisioterapia, exercícios específicos para os músculos do pavimento pélvico (exercícios de kegel), medicamentos e, em alguns casos, cirurgia. A fisioterapia é bastante aconselhada para o tratamento da incontinência urinária pois pode tratar os três tipos. A duração do tratamento vai depender da gravidade da incontinência e da colaboração do doente, pois é necessário realizar exercícios várias vezes ao dia para conseguir atingir a cura da doença.

O tratamento cirúrgico desempenha um papel preponderante na incontinência urinária de esforço, tanto na mulher, como no homem. A cura da incontinência urinária de esforço é possível em cerca de 90% dos casos. Na incontinência urinária por imperiosidade, a taxa de sucesso dos anticolinérgicos ou antimuscarínicos (tratamento de primeira linha, cuja ação estabiliza o músculo vesical - o detrusor - inibindo a sua contração involuntária) situa-se nos 80%.

As alterações comportamentais necessárias, principalmente na incontinência por imperiosidade, passam por um controlo da ingestão de líquidos e a exclusão de alimentos irritantes para a bexiga, como por exemplo a cafeína, bebidas ga- seificadas, álcool comida picante e condimentos.

 

Exercite os músculos

Criados pelo ginecologista Arnold Kegel, estes exercícios são muito úteis para quem sofre de incontinência urinária e são considerados a melhor forma de prevenção. O objectivo dos exercícios de Kegel é fortalecer os músculos pélvicos, melhorando também a função dos esfíncteres da uretra e recto. Também podem melhorar o desempenho nas relações sexuais.

Para fazer os exercícios de Kegel de forma correcta, esvazie a bexiga e contraia os músculos pélvicos, conte até 10 e a seguir relaxe os músculos completamente, contando até 15 novamente para relaxar.

Para identificar o grupo de músculos correctos para a contracção, basta interromper o fluxo da urina no acto da micção. Esta é a contraçcão muscular correcta. Os exercícios de Kegel podem ser utilizados para a incontinência urinária das mulheres ou dos homens, devendo ser realizado especialmente pelas grávidas.

Alimentar os anos

 Alimentar os anos

 

Com o passar dos anos, vão surgindo mudanças e são vários os factores que podem contribuir para a malnutrição no idoso, como a ingestão alimentar não adequada às necessidades, problemas digestivos, redução da percepção do sabor e odores, doenças, algumas situações relacionadas com a medicação e, ainda, o isolamento. o grau de risco de desnutrição pode justificar a toma de suplementos nutricionais orais, de modo a melhorar um bom estado nutricional e viver a idade com saúde.

A terceira idade nem sempre tem como consequência natural um enfraqueci- mento do estado de saúde. há idosos que - como se diz popularmente – são "sãos como um pêro". Mas a verdade é que o passar dos anos traz consigo alterações fisiológicas importantes, mesmo quando não são acompanhadas de doença: as funções vitais abrandam, o metabolismo torna-se mais lento, os movimentos também, o consumo de energia diminui, e a capacidade de reacção e concentração igualmente. Há ainda perda de massa muscular. Pelo que é importante observar os sinais de alerta da desnutrição. Um bom estado nutricional contribui para a manutenção do bom funcionamento de todas as funções vitais do organismo.

Á medida que se avança na terceira idade aumenta a probabilidade de desenvolver uma ou mais doenças, o que implica, com frequência, a toma de múltiplos medicamentos.

A ingestão de nutrientes depende do consumo alimentar e este é influenciado por alguns medicamentos que podem causar efeitos indesejáveis como náuseas ou vómitos, diminuição do apetite, secura da boca, alteração do cheiro ou sabor, alteração do balanço electrolítico e de fluidos. Actualmente, sabe-se que podem acontecer alterações no paladar, que causem desinteresse pelos alimentos uma vez que não parecem ter o seu sabor original. Também podem acontecer alterações na dentição – por perda de dentes ou incorrecta utilização das próteses dentários – que dificultem a mastigação.

Há ainda que levar em consideração factores de natureza social, relacionados, como por exemplo, com a viuvez. Uma pessoa habituada a confeccionar refeições para o cônjuge e a partilhá-las pode sentir-se desmotivado a fazer compras e cozinhar para si própria. É razão suficiente para desequilíbrios alimentares, quer porque não se come com a regularidade devida, quer porque não se ingerem os alimentos ne- cessários.

Associada ao isolamento pode haver depressão que, por vezes, tem o mesmo efeito no que diz respeito ao comportamento alimentar e que pode, inclusivamente, conduzir ao consumo de álcool, mais um factor a agravar a perda de apetite.

O resultado é um progressivo agravamento do estado de desnutrição que, na prática, é uma causa e uma consequência da falta de saúde.

Há sinais desse estado: o índice de massa corporal, perda de peso involuntária nos últimos três a seis meses, que é muitas vezes denunciado através da roupa excessivamente larga, e a presença de alguma condição que reduza a ingestão alimentar (ex: alterações na cavidade oral, dificuldade de engolir).

Não são os únicos. São visíveis alterações musculares, cansaço, prostração e alterações na aparência da pele, que fica mais baça e pálida. As unhas e os cabelos tornam-se quebradiços e os olhos mais côncavos.

Em consequência deste défice nutricional, o sistema imunitário fica fragilizado e o idoso fica mais susceptível a desenvolver infecções. Pela mesma razão, demora a cicatrizar feridas, a recuperar doenças, tem maiores complicações pós-cirúrgicas e uma elevada susceptibilidade para sentir frio. Há situações extremas que conduzem a internamento hospitalar. Sabe-se, aliás, que em Portugal metade dos idosos que chegam aos hospitais estão desnutridos, o que significa que o problema começou, de facto, em casa.

Aos idosos com risco de desnutrição aconselha-se a consulta médica ou nutricionista/dietista, tendo em vista o diagnóstico o mais precoce possível. É, todavia, possível minimizar este risco, mediante a ingestão de suplementos de nutrição oral que aumentam o aporte de energia, proteínas e micronutrientes capazes de fortificar a alimentação corrente e ajudar a me- lhorar as necessidades nutricionais do indivíduo, caso a função gastrintestinal esteja conservada. São, na maioria, formulados por macronutrientes, no entanto, alguns são nutricionalmente incompletos o que faz com que se des- tinem a complementar a alimentação e não a substituir por completo.

Os suplementos nutricionais orais destinam-se a ser utilizados sob supervisão médica/nutricional. Sendo produtos de saúde devem ser tomados por indicação de um profissional de saúde para uma melhor utilização e monitorização da melhoria do estado nutricional do idoso. A presença de um profissional de saúde no circuito, nomeadamente o farmacêutico permitirá, ainda, garantir a utilização segura, correcta e efectiva da toma simultânea destes produtos com medicamentos.

 

Fonte: ANF

Suicídio na terceira idade

 Suicídio na terceira idade

 

Provavelmente a causa ou causas mais relevantes estão relacionadas com doenças ou episódios depressivos, não sendo no entanto de desprezar outros factores nos quais se destacam as alterações do papel social - ficar desempregado, reformado, perda do poder económico ou estatuto social - e a desestruturação da família por divórcio, morte do cônjuge ou de um parente mais próximo.
Alcoolismo e perturbações do foro psiquiátrico, tais como esquizofrenia, ataques de pânico ou melancolia, podem ainda ser responsáveis. São ainda de referir a perda das capacidades mentais (memória, sentido de orientação) e físicas (doença crónica, dor, perda da autonomia), bem como situações de crise pessoal.
Mais controversos são os factores de personalidade ou hereditariedade que por vezes são apontados como causadores do suicídio.

Sinais de Fogo

Um dos factores comuns entre os suicidas é a perda de interesse pela vida, o abandono, a incapacidade de fazer frente a pequenas ou grandes adversidades do dia a dia.
Um só sinal pode não ser revelador de um comportamento suicidário, no entanto, no conjunto, alguns deste sinais poderão ser importantes:

Falar sobre suicídio ou manifestar preocupações com morte;

Discursos de desesperança, desespero ou desânimo;

Perda da auto-estima e amor próprio;

Perda de interesse pela família, vida social, animais de estimação e passatempos;

Descuido na higiene e aparência pessoal;

Cansaço permanente e apatia sem razões visíveis;

Choro frequente e sem razão aparente;

Perturbações de sono e apetite;

Irritabilidade, ansiedade, melancolia ou pânico;

Abuso de álcool ou medicamentos;

Adquirir produtos venenosos ou uma arma.

Erros, Medos e Mitos

Um dos erros mais comuns é pensar-se que falar de suicídio encoraja actos suicidas. Falar abertamente de uma preocupação, alivia tensões e permite muitas vezes encontrar soluções que afastam a ideia. Voltar as costas e esperar que passe é perigoso.
Ao contrário, pensar que quem fala de suicídio, não se suicida pode ser fatal. Três em cada 4 suicidas, manifestam antecipadamente a sua intenção, pelo que não deve ignorar 'pedidos de ajuda', mesmo que velados.
Muitas pessoas têm, ainda, o medo secreto de que as tendências suicidas sejam hereditárias e casos na família levam muitas vezes uma pessoa fragilizada a pensar que o suicídio é inevitável. No entanto, estudos feitos em amostras de gémeos idênticos não evidenciaram qualquer base para sustentar este medo infundado.

Conselhos

Aprenda a ouvir. Nestes casos, e em muitos outros, ouvir não é uma atitude tão passiva como parece ser. É preciso deixar o suicida falar e centrar todo o diálogo na pessoa com o problema, não caindo na tentação de personalizar com exemplos tipo: 'eu também já passei por isso'.
Não faça julgamentos e evite comentários. Acima de tudo, nunca diga: 'Não Faças Isso'.
Estenda o contacto mais tempo, tanto quanto for possível, até que as suas preocupações deixem de existir.
Se o suicida manifestar sentimentos de abandono e a sua preocupação pelo desinteresse de todos - recorrendo a frases do tipo 'ninguém se interessa por mim" ou 'eu não faço falta a ninguém' - centre os sentimentos em si próprio. Não se esqueça de dizer 'eu estou aqui e preocupo-me ...'.
Por vezes aquilo que pode parecer uma insignificância, é extremamente importante para alguém que se encontra em estado de carência afectiva total.

A juventude num comprimido?

 A juventude num comprimido?

 

Não falta por aí publicidade a milagrosos produtos anti-envelhecimento. Mas estas substâncias serão mesmo capazes de retardar ou até de interromper o processo de envelhecimento? Em muitos casos, se lhe parece bom demais para ser verdade, se calhar é mesmo.

Pode até preferir pensar que ainda não passou dos 35 anos. Mas o corpo vai-lhe lembrando que não é bem assim. Cansa-se facilmente. Os ossos vão doendo. O cabelo começa a faltar, e alguns dos que ficam já são brancos. Quando tudo isto acontece, torna-se difícil pensar que a idade não tem importância nenhuma.

Desde as suas mais remotas origens que a espécie humana anda à procura da fonte da juventude. Não surpreende, por isso, que a atracção dos anúncios a produtos anti-envelhecimento possa ser tão grande. Quem não gostaria de se sentir muito mais jovem, sobretudo, se para isso, nada mais tiver de fazer para além de tomar um comprimido?

Dado que a realidade não é igual ao que se passa nos livros e filmes de ficção científica, o bom senso obriga a reagir com muita cautela a qualquer sugestão de milagre. O melhor é mesmo estar bem informado. Segundo as conclusões dos cientistas que se dedicam ao estudo destas matérias, o envelhecimento é um processo intrincado e complexo que envolve múltiplas áreas do corpo. Só por esta razão, um único produto, pílula ou poção não pode transformar-se na cura para todos os problemas decorrentes da idade.

Não há nada a fazer?

Se um único produto mágico nunca poderá ser a resposta para todas as alterações associadas ao envelhecimento, isso não significa que não haja nada a fazer para combater os seus efeitos. Pelo contrário, os investigadores descobriram algumas estratégias que realmente funcionam.

Existem já imensos estudos demonstrativos de que o exercício, a dieta saudável e a actividade mental regular podem ajudar a viver melhor e durante mais tempo. Aliás, se formos comparar com os indicadores de algumas décadas atrás, verificamos que a esperança de vida tem aumentado em todo o mundo desenvolvido, tanto para os homens como para as mulheres.

Além disso, no caso específico das mulheres, a Terapêutica Hormonal de Substituição (THS) demonstrou poder contribuir para manter os ossos mais fortes, para reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, restaurar a lubrificação vaginal e melhorar a elasticidade da pele. E parece ser também evidente que a THS auxilia à manutenção das funções mentais durante o processo de envelhecimento.

Mal, não lhe fazem

Os antioxidantes são vitaminas, minerais e enzimas que protegem o corpo pela neutralização dos radicais livres. Os radicais livres são subprodutos do metabolismo normal das nossas células. Acredita-se que estejam associados às alterações causadas pela idade e a certas doenças.

Os suplementos antioxidantes, considerados como vantajosos na prevenção contra as consequências de certas doenças, incluem as vitaminas E e C, o selénio e a coenzima Q 10.

De todos os antioxidantes conhecidos, a vitamina E é a mais promissora na protecção contra doenças cardiovasculares. Isto é, os benefícios de tomar vitamina E - não mais de 400 unidades internacionais diárias - podem traduzir-se na possível diminuição de riscos potenciais quando já se sofre de uma doença cardíaca. A vitamina E pode também ser útil no caso das doenças de Alzheimer e de Parkinson.

Por outro lado, foi já demonstrado que uma dieta rica em vitamina C pode levar à diminuição do risco de aparecimento de cancro e de doença cardíaca. No entanto, não está ainda claro se este efeito se mantém quando a fonte de vitamina C são os suplementos dietéticos e não os alimentos, nomeadamente os citrinos.

O selénio é um mineral antioxidante que se encontra principalmente nos mariscos e no fígado. Entre outras qualidades, é-lhe, por vezes, atribuído um papel na prevenção do cancro. Mas são necessários estudos mais completos para que se possa avaliar das reais vantagens da ingestão de suplementos deste mineral. Sabe-se contudo, que, ingerido em quantidades excessivas, pode provocar queda de cabelo e das unhas.

Por último, a coenzima Q10 é um antioxidante produzido pelo próprio organismo. Provém também de várias outras fontes, incluindo a carne e os mariscos. As afirmações de que poderá retardar o envelhecimento e evitar o cancro estão ainda por demonstrar. Certos factos sugerem que pode representar uma promessa no tratamento de alguns problemas cardíacos.

Assim, a grande conclusão que o estado dos conhecimentos científicos permite hoje reter é que, embora certos antioxidantes sejam promissores, continua a ser necessária cautela. Não está ainda bem esclarecido se tomar antioxidantes terá ou não consequências a longo prazo.

Por enquanto, a melhor solução é ainda comer mais alimentos ricos em antioxidantes. Mais concretamente, frutos frescos e vegetais. Ainda por cima, são mais baratos e eficazes.

Talvez no futuro

As hormonas são produtos químicos produzidos pelo corpo para regularizar as actividades de órgãos vitais. Dado que os níveis de produção de hormonas decrescem com a idade, alguns cientistas têm especulado sobre o seu papel no envelhecimento. A crer nestes cientistas, poder-se-ia inverter as leis da natureza, fazendo regressar os níveis de hormonas aos da juventude.

Seja como for, nada garante que os suplementos hormonais produzam efeitos concretos no retardamento do complexo processo de envelhecimento. É o caso, por exemplo, da substância usualmente conhecida pela sigla DHEA. Transformada pelo organismo em estrogénio e na testosterona das hormonas sexuais, a presença de DHEA no nosso organismo atinge os níveis mais elevados por volta dos 25 anos. A partir de então, a produção abranda.

Afirma-se que a ingestão de DHEA retarda o envelhecimento, aumenta a força muscular e óssea, queima as gorduras, melhora o conhecimento, activa a imunidade e protege contra muitas doenças crónicas.

Lamentavelmente, não há ainda quaisquer provas de que os suplementos de DHEA tenham essas qualidades. Embora os ratos laboratoriais tratados com DHEA mostrem tendência para agir como se fossem mais jovens, nada permite afirmar que o mesmo possa acontecer com os seres humanos. Mas também nada permite dizer o contrário.

O grande problema é que, para além da vertente da esperança, a DHEA pode ter perigosos efeitos colaterais. Mesmo quando tomada durante curtos períodos pode fazer estragos no fígado. Pode também provocar certos cancros, o aparecimento de indesejáveis pelos no rosto e um risco acrescido de doença cardíaca. Dados estes riscos potenciais e a incerteza associada à sua utilização, a venda de DHEA é proibida nos Estados Unidos desde 1985.

Tudo tem um preço

A testosterona aparece igualmente incluída na lista das substâncias que podem ser associadas ao envelhecimento. Mais concretamente, o declínio dos níveis de hormonas sexuais masculinas tem sido relacionado com o decréscimo da capacidade e da motivação sexual. Segundo algumas teorias, o aumento artificial dos níveis de testosterona melhora a energia, o bem-estar e a actividade sexual. A hipótese é atraente, mas está ainda por provar. E como tudo tem um preço, a administração em doses elevadas pode provocar problemas da próstata e fazer subir o nível de colesterol.

Existem ainda outras hormonas com efeitos antioxidantes cuja apresentação apenas costuma considerar as suas vantagens. Mas a verdade é que, sem prejuízo de que possam proporcionar vantagens efectivas, torna-se necessário aprofundar os estudos sobre todas as suas implicações.

Entre os casos que apontam no sentido de prosseguir as pesquisas científicas avultam a melatonina e a hormona do crescimento humano.

A melatonina é uma hormona produzida pelo nosso cérebro. Ajuda a regularizar o sono e constitui uma promessa no tratamento para a insónia e para o stress. Mas as afirmações de que a melatonina, uma vez que também é um antioxidante, pode retardar ou reverter o envelhecimento, combater o cancro e aumentar o desempenho sexual estão longe de estar definitivamente demonstradas. Por outro lado, os suplementos que se encontram à venda suspendem muito frequentemente a produção natural de melatonina pelo nosso corpo. Para além disto, quando tomada impropriamente, a melatonina pode mesmo destorcer o ciclo do sono. Cria-se, assim, um risco de dependência da ingestão artificial daquela substância, que antes era naturalmente produzida.

Finalmente, a hormona do crescimento humano é responsável pelos saltos de crescimento nas crianças. Como se sabe, a sua acção interrompe-se naturalmente após a adolescência. Há quem afirme que a administração, por via injectável, desta hormona produz o efeito de reduzir as gorduras, de fortalecer a musculatura e de renovar a energia.

Alguns estudos já realizados sugerem, de facto, alguns benefícios resultantes dos tratamentos com a hormona do crescimento humano. Contudo, estes estudos são ainda algo limitados, o que conduz a maioria dos médicos a afirmar que ainda é muito cedo para que se possam tirar conclusões sólidas. Os possíveis efeitos colaterais desta hormona incluem retenção dos fluídos, dores nas articulações, diabetes e tensão arterial elevada.

Não há milagres

Não obstante repetidas e tentadoras proclamações de êxito seguro, até hoje nenhum produto demonstrou ser capaz de evitar ou reverter o processo de envelhecimento. Por outro lado, vários deles apresentam muitos efeitos colaterais potencialmente perigosos.

Se está a pensar em utilizar um produto anti-envelhecimento ou se imagina que tem um problema hormonal, o melhor é falar com um farmacêutico. Só ele o poderá informar sobre os potenciais benefícios do produto ou sobre os seus perigos.

A idade da próstata

 A idade da próstata

 

O cancro da próstata é o segundo mais mortal nos homens, estimando-se que em 2000 se tenham registado 130 mil casos, o que corresponde a mais de 2,5% da população masculina. Em 1995, contabilizaram-se 1500 mortes, em 1999 as vítimas foram 1700 e no ano 2000 elevaram-se a 1800. Só o cancro do pulmão faz mais mortes entre o sexo masculino.
Números que tornam imperioso o diagnóstico precoce, na medida em que não existe uma causa específica para estas doenças e, portanto, não é possível evitá-las. É a partir dos 50 anos que os homens entram naquela a que poderíamos chamar a idade da próstata, porque é na quinta década da vida que os problemas com esta glândula começam. Metade dos homens com mais de 70 anos sofrem de cancro da próstata, o mesmo acontecendo com praticamente todos acima dos 90. Quadro semelhante é o da Hipertrofia Benigna da Próstata, um tumor benigno muito frequente depois dos 70, mas raro antes dos 50 anos.


O que é a próstata, afinal?

Trata-se de uma glândula do aparelho reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do recto, sendo atravessada pela uretra (o canal por onde passa a urina durante as micções). As suas dimensões são reduzidas até o homem atingir a puberdade, mas nessa altura o seu desenvolvimento acompanha o aparecimento de outras características sexuais, como a barba e os pêlos públicos ou as alterações na voz. Atinge então a forma e o volume de uma castanha.
Sob a influência da hormona masculina, a testosterona, a próstata produz parte do fluído seminal no qual os espermatozóides são transportados, sendo, pois, importante para a fertilidade. Contudo, não interfere na actividade sexual, pelo que não tem qualquer influência na potência sexual do homem.

Da hipertrofia ao cancro

Dificuldades na micção costumam ser os primeiros sintomas de que algo vai mal com a próstata. E quando já se ultrapassou a barreira dos 50 anos há razões acrescidas para suspeitar. Tanto mais que as doenças da próstata surgem lentamente, sem uma causa identificável e quando se detectam muitas vezes já é tarde demais.
Por razões que o conhecimento médico ainda não consegue explicar na totalidade, a próstata aumenta de volume. Um crescimento que causa incómodo e desconforto e que pode mesmo dar origem a situações de algum embaraço. É que, ao crescer, a próstata pressiona a uretra, originando vários problemas urinários, entre eles necessidade de urinar frequentemente, sobretudo durante a noite, e dificuldade em esvaziar a bexiga apesar da vontade de urinar. Pode acontecer igualmente que a quantidade de urina em cada micção seja pequena, menor do que antes da hipertrofia (aumento de volume). Está-se então provavelmente perante um quadro de Hipertrofia Benigna da Próstata, uma situação que pode ser tratada com medicamentos ou cirurgia.
São múltiplos os sintomas quando a próstata aumenta de volume, normalmente divididos em duas categorias – obstrutivos e irritativos. São sintomas de obstrução a dificuldade em começar a urinar, um esforço excessivo para urinar, jacto de urina fraco, sensação de não ter esvaziado a urina completamente, gotejo no final de urinar, retenção urinária. Quanto aos sintomas irritativos, incluem micções frequentes, de dia e de noite, premência para urinar, incontinência e ardor ao urinar. Pode acontecer igualmente que haja sangue na urina, infecções urinárias e disfunções sexuais.
Perante estes sintomas há que procurar um médico, pois pode ainda ser tempo de efectuar um tratamento com medicamentos, evitando a cirurgia. Mais tarde, corre-se o risco de prejudicar o bom funcionamento da bexiga e dos rins.
A Hipertrofia Benigna da Próstata é o tumor benigno mais frequente no homem. Outra doença da próstata, o cancro, é o segundo que mais vítimas faz entre o sexo masculino, depois do cancro do pulmão. Raro antes dos 50 anos mas extremamente frequente depois desta idade, evolui sem se dar por ele, crescendo lentamente sem manifestar sintomas. O que o torna tão grave é a sua capacidade de se metastizar, ou seja, de se expandir para outros órgãos, preferencialmente os gânglios linfáticos, os ossos e pulmões.
Este tumor maligno implica um crescimento das células anormais da próstata, por razões ainda desconhecidas. Pensa-se que existem factores de ordem genética e ambiental na origem da doença, constituindo um factor de risco a existência de história familiar de cancro da próstata em familiares do sexo masculino do 1º grau.
Os seus sintomas são em tudo idênticos aos da Hipertrofia Benigna da Próstata, incluindo a dificuldade em urinar ou a necessidade de fazê-lo com frequência. Contudo, à medida que o tumor vai crescendo outros sintomas se declaram, como a presença de sangue na urina ou retenção urinária súbita. Quanto as células malignas atingem outros órgãos, pode haver lugar a dores ósseas ou insuficiência renal, por exemplo.
Estes sintomas são muitas vezes manifestações de doença avançada, o que torna o diagnóstico reservado. Daí a importância do diagnóstico precoce, sabendo-se que a taxa de sobrevivência aos cinco anos é de 85% quando o cancro é detectado na sua fase inicial.
O que se faz – sobretudo desde que se desenvolveu o PSA, uma análise de sangue para doseamento do antigénio específico da próstata – é uma pesquisa intencional da doença. A todos os homens com mais de 50 anos recomenda-se, assim, uma consulta anual ao urologista, na qual será feito o rastreio das doenças da próstata. O mais conhecido desses exames – e o que mais inibe os homens – é o toque rectal, através do qual o médico toca a próstata. Se o homem já tiver algum nódulo, o médico detecta-o, podendo avançar para uma ecografia ou uma biopsia.
Se detectado precocemente, antes de se propagar a outros órgãos, o cancro da próstata pode ser tratado. São os homens com menos de 70 anos os que mais beneficiam do tratamento, até porque os mais velhos sofrem também de outras enfermidades e muitas vezes nem se submetem às opções terapêuticas. Se estiver confinado à próstata, o cancro pode curar-se extirpando-se a glândula ou recorrendo à radioterapia, podendo, no caso dos homens sexualmente activos, optar-se por uma operação que preserva a potência sexual. Assim acontece em 75% dos casos.
Não havendo ainda prevenção para o cancro da próstata, todos os homens a partir dos 50 anos deveriam preocupar-se em saber se o seu PSA é normal. Principalmente se houver antecedentes familiares. Vale a pena fazer o rastreio. Não há nenhuma razão para andar com este problema às costas: é que as doenças da próstata podem curar-se.

Para os homens com mais de 50 anos

A próstata é uma pequena glândula com função sexual acessória na vida dos homens adultos, mas que pode trazer, com o envelhecimento, graves problemas de qualidade de vida, morbilidade e mortalidade. As doenças da próstata ainda não são evitáveis, mas actualmente um diagnóstico precoce permite um tratamento eficaz, que pode salvar a vida ou prevenir graves complicações. Informe-se aqui na farmácia.

 

50 anos - idade crítica?

 50 anos - idade crítica?

 

Afrontamentos, com a sensação súbita de calores, suores, irritabilidade, humor depressivo, secura vaginal, diminuição do apetite sexual, insónias, dores de cabeça, dores nos ossos...É a chegada da menopausa, um novo estágio da existência da mulher, uma situação a que terá de acomodar-se, pois vai representar sensivelmente um terço da sua vida. O tratamento hormonal pode reduzir alguns dos problemas.

A menopausa, popularmente designada por idade crítica, é a paragem da função ovárica - que ocorre por volta dos 50 anos - e após a qual deixam de existir a ovulação, a fecundação e a menstruação.
É, contudo, conveniente, estabelecer uma distinção entre menopausa e climatério, distinção que nem sempre é correctamente feita. A menopausa corresponde à cessação dos períodos menstruais, podendo, desta forma, ser estabelecida, mais ou menos, uma data; o climatério é um espaço de tempo muito mais alargado, cujas manifestações se dividem em três fases: pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa.
Durante o climatério produzem-se no organismo certas modificações, somáticas e psíquicas, que marcam para a mulher o fim da actividade reprodutora (menopausa) e que, no homem, se manifestam por uma menor frequência da actividade sexual (andropausa).
Porém, com a entrada na menopausa, nem todas as mulheres sofrem de afrontamentos e suores nocturnos, os sintomas mais característicos. Na verdade, duas em cada dez mulheres nunca passaram por essa situação. Por outro lado, os afrontamentos podem surgir 5 a 10 anos antes da menopausa, por vezes quando os ciclos são ainda regulares e, à falta de adequado tratamento, podem prolongar-se para além da paragem da função ovárica. Uma em cada dez mulheres apresenta ainda os sintomas cinco anos depois e uma em cada quatro, dez anos mais tarde.

Alterações na vida sexual

Desde o início da menopausa e durante os anos seguintes, grande parte das mulheres enfrenta alterações, por vezes profundas, na sua vida sexual: diminuição do desejo, da frequência e da qualidade das relações sexuais, queixando-se frequentemente de dores durante o acto. As causas são tanto físicas como psicológicas. Por um lado, a interrupção da secreção das hormonas femininas (estrogénios) provoca a secura vaginal que está na origem das dores que ocorrem durante as relações sexuais. Por outro, a própria vivência da menopausa cria problemas psicológicos, que se acentuam com uma percepção negativa da sua imagem corporal, com inevitáveis alterações familiares, como a saída dos filhos de casa, e com o papel desempenhado pelo parceiro.

Risco de fracturas

Por outro lado, a interrupção da secreção das hormonas femininas é acompanhada por uma redução mais ou menos acentuada da massa óssea, consequentemente da solidez. Uma em cada três mulheres, vê a sua massa óssea atingir valores excessivamente baixos, o que pode predispor a fracturas, quer espontaneamente, quer em consequência de traumatismos mesmo mínimos. É a osteoporose.
Mais rigorosamente, a osteoporose é uma lesão óssea caracterizada por adelgaçamento liso e rarefacção das trabéculas ósseas (estruturas lineares muito finas do osso esponjoso, que reforça a estabilidade do osso compacto), o que se traduz por uma diminuição da opacidade radiológica do esqueleto. Localizada ou difusa, observa-se em diversas circunstâncias: idade avançada, perturbações endócrinas, traumatismos, imobilização prolongada...
As fracturas do punho são mais frequentes por volta dos 55 anos. Os esmagamentos vertebrais ocorrem entre os 60 e os 70 anos e traduzem-se por dores nas costas (crónicas ou agudas), por uma diminuição da altura e o aumento da curvatura do dorso. As fracturas do colo do fémur verificam-se sobretudo a partir dos 75 anos. Um exame simples, denominado osteodensitometria permite medir a massa óssea, de modo a identificar as mulheres que apresentam elevado risco de fractura.
Na pós-menopausa, as mulheres vão correr ainda outros riscos. Vão apresentar alterações das gorduras do sangue (colesterol, triglicéridos), que contribuem para um risco mais elevado para a aterosclerose, que pode ser causa de uma futura angina de peito e enfarte do miocárdio. A doença de Alzheimer pode, igualmente, estar no horizonte.

Substituição hormonal - a melhor arma

Todos estes novos riscos que surgem na pós-menopausa podem ser modificados de modo a não se transformarem em causa de doenças. Os estrogénios (as hormonas femininas) são a principal arma de prevenção destas doenças nesta nova fase da vida das mulheres.
É certo que existem muitas ideias erradas sobre o tratamento de substituição. Há quem receie que seja uma nova causa de cancro, quem acredite que fazem aumentar o peso, outros afirmam que fazem crescer as pilosidades.
Respeitadas as indicações e contra-indicações (o que se aplica a qualquer tratamento), os benefícios obtidos ultrapassam largamente quaisquer eventuais riscos. O tratamento hormonal é sempre útil, pois melhora a qualidade de vida das mulheres após a menopausa. Nomeadamente, exerce uma acção benéfica a nível da pele e previne a secura vaginal e os problemas urinários (cistites crónicas).
A sua função principal é, no entanto, a de evitar as complicações resultantes da carência de estrogénios, ou seja, a osteoporose (a principal causa de fracturas ósseas) e as doenças cardiovasculares, que representam a principal causa da morte nas mulheres com mais de 70 anos, com valores muito superiores aos causados pelo cancro.

Manutenção prolongada

O objectivo do tratamento hormonal não consiste apenas em eliminar os sintomas físicos e psíquicos relacionados com a menopausa. Destina-se essencialmente a evitar a perda de massa óssea. Um tratamento durante um ou dois anos não é suficiente. Para reduzir o risco ósseo, o tratamento deve ser seguido regularmente pelo menos durante 7 anos. A manutenção prolongada do tratamento contribui para reduzir as doenças cardíacas, nomeadamente os enfartes de miocárdio, que também ocorrem nas mulheres por volta dos 70 anos - convém referir que na pré-menopausa, o risco de doenças cardíacas é muito inferior nas mulheres relativamente aos homens e, após a menopausa, os valores são praticamente iguais para os dois sexos.
Este tratamento continua a ser muito eficaz, mesmo quando iniciado após os 60 anos e, se não houver contra-indicações, pode ser prescrito após os 70 e até mais tarde.
Diversas razões podem levar à instituição de um tratamento hormonal vários anos após a menopausa: persistência dos sintomas incómodos, redução da massa óssea e evitar recaídas e prolongar a duração da vida a mulheres que sofrem de angina de peito, tiveram enfartes cardíacos ou foram operadas ao coração.

O espectro do cancro

Um dos receios mais generalizados relativamente ao tratamento hormonal é a afirmação de que seria responsável por um aumento do risco de cancro. No que diz respeito ao cancro da mama, os numerosos estudos existentes não revelam qualquer aumento da mortalidade global, mesmo com tratamentos prolongados. Na verdade, só após 15 anos de tratamento contínuo se poderia notar um ligeiríssimo aumento do número de casos diagnosticados: cerca de seis em cada mil mulheres. Anote-se, de resto, que a mortalidade devida ao cancro da mama é baixa e cerca de dez vezes inferior à das doenças cardiovasculares, a principal causa de morte entre as mulheres. As estatísticas indicam que uma mulher de 35 anos tem um risco de quatro por cento de vir a morrer de cancro da mama. O risco de morrer das doenças cardiovasculares a partir dos 35 anos, pelo contrário, é de 44 por cento, ou seja onze vezes superior.
O que é de acentuar é que tendo em conta os reais benefícios e os potenciais riscos globais, no que se refere aos ossos, às doenças cardíacas, à qualidade de vida e ao cancro, o tratamento hormonal de substituição é realmente vantajoso. Nas mulheres que ainda têm útero, os estrogénios devem sempre ser administrados em associação com progestativos; nas que já não têm útero, os estrogénios podem ser administrados continuadamente e sem associação a progestativos.

O peso vai aumentar?

O aumento de peso que geralmente se assinala após a menopausa é devido a múltiplas causas. A falta de secreção das hormonas femininas pelos ovários ou o seu irregular funcionamento antes da menopausa contribuem para uma acumulação de gordura. As mulheres devidamente compensadas desde a pré-menopausa não apresentam grandes variações de peso e quando se inicia um tratamento de substituição hormonal após a menopausa é frequente notar-se uma redução de peso e uma melhor redistribuição da gordura.
Por outro lado, a instabilidade emocional das mulheres menopáusicas não compensadas hormonalmente pode determinar um aumento do apetite, principalmente em relação aos doces, um meio desejado para gratificação emocional e que actua ainda como tranquilizante. A compensação hormonal permite normalizar o apetite.
No entanto, não podemos esquecer que um tratamento hormonal acima das necessidades pode, por vezes, contribuir para um aumento de peso por retenção de líquidos e também pelo aumento de gorduras.
Convém salientar que o tratamento hormonal melhora a pele envelhecida pela idade e pelo sol (os responsáveis pelas rugas e pelas manchas), envelhecimento, fisiológico e inevitável, que é acelerado pela carência de estrogénios. Durante a menopausa, a pele torna-se mais fina e mais seca e os cabelos enfraquecem igualmente. O tratamento hormonal evita o adelgaçamento da pele, torna-a mais elástica e saudável e melhora a situação do cabelo.

Portugal à margem

As mulheres portuguesas na menopausa são cerca de um milhão, o que significa vinte por cento da população. Deste número, apenas 3 a 4 por cento fazem tratamento de substituição hormonal. É uma situação altamente preocupante, quando se sabe que a população do país está a envelhecer e que mais de um terço da vida da mulher corresponde à fase pós-menopausa.

O tratamento futuro

O tratamento de substituição hormonal funciona hoje à base de medicamentos convencionais, mas, de futuro, deverá passar a ser feito com recurso a substâncias naturais à base de soja, muito rica em hormonas vegetais.
Foram já isolados estrogénios vegetais a partir da soja, denominados fitoestrogénios, e está a proceder-se a intensas investigações e experimentações clínicas neste âmbito. A alimentação, como sempre, é a base de uma boa saúde, bem como o exercício físico e a actividade mental.
Assim, parece ser aconselhável às mulheres que entram na menopausa o consumo de rebentos e de leite de soja, duas fatias de pão integral e outros cereais por dia, assim como vegetais em grande quantidade.

 

Fonte: ANF